, o mais aristocrático bairro de Lisboa, num lindo apartamento
de 3 assoalhadas que eu remodelei e decorei. O meu prédio tem cinco pisos e 27 condomínios,
um casal de porteiros e dois elevadores. A porta do meu prédio dá para o jardim
da Praça de S. João Bosco, no qual , vista da minha janela, destaca-se uma
árvore ornamental da espécie Tipuana tipu, de grande porte, originária da
América do Sul (Argentina e Bolívia). Este belo exemplar, centenário, com cerca
de 23 metros de altura, de copa ampla e bem proporcionada, tem 34 metros de
diâmetro e ostenta um considerável efeito paisagístico, que deslumbra. A 3 metros
do solo ramifica, em longas pernadas, que dão sombra e frescura a quem as
utiliza. Presentemente, o jardim está a passar por uma grande remodelação. Foram
já construídos um café com uma grande esplanada, um parque infantil, um parque canino e outro
com equipamento de ginástica para os mais velhos.
A
poucos metros tenho cinco terminais: Três paragens de autocarros e duas de
elétricos, entre os quais o célebre elétrico 28 que parte da minha porta e
termina o seu trajeto no Martim Moniz. O autocarro 709 leva-me aos
Restauradores, o 701 ao Campo Grande, o 774 a Gomes Freire e o elétrico 25 ao
Terreiro do Paço e ao Campo das Cebolas, o que me permite uma mobilidade fácil
e agradável.
Campo
de Ourique, zona de habitação de classe média-alta é considerado um dos bairros
da cidade de Lisboa com melhor qualidade de vida. Políticos, artistas e jornalistas escolheram Campo de
Ourique para viver e conviver. Situado entre as Amoreiras,
a Estrela e os Prazeres, Campo de Ourique não fazia
parte do centro de Lisboa até ao século XVIII.
As ruas de Campo de Ourique estão repletas de lojas, cafés, pastelarias, consultórios e escritórios.
As ruas de Campo de Ourique estão repletas de lojas, cafés, pastelarias, consultórios e escritórios.
Para perceber o ambiente do bairro, faça-se um
percurso pelos cafés mais antigos: "A Tentadora" na Rua Ferreira
Borges, a "Ruacaná" na Rua Almeida Sousa e o “Canas" na Rua
Saraiva Carvalho. Não esquecer o restaurante STOP, um clássico de Campo de
Ourique, onde vamos muitas vezes almoçar e que se destaca pela sua cozinha
execional. O arroz de marisco, o arroz de tamboril, a cabidela de galinha
confecionados pela D. Rosa são de saborear e chorar por mais. Não vamos lá mais vezes porque um almoço anda
à volta dos 30 e tal Euros, enquanto nos “4 Minhotos”, onde almoçamos todos os
dias uma comida mais caseira, gastamos 15.
Existe o Mercado de
Campo de Ourique, com mais de
80 anos de história que, depois de renovado, trouxe mais vida ao bairro, com
bastante afluência de público, passando a ser referência para turistas
estrangeiros. Com a renovação, surgiram diversos restaurantes e bares,
tasquinhas com petiscos deliciosos desde as ostras com champanhe aos
hamburgers, passando por pratos mais elaborados, como o prego gourmet e o sushi
e sashimi, na tasquinha japonesa.
Indispensáveis são as visitas à Igreja do Santo Condestável, construída em estilo
neogótico em honra do Condestável D. Nuno Álvares Pereira da autoria do arquiteto Vasco Regaleira, à Casa de onde
Fernando Pessoa morou nos últimos 15 anos da sua vida. Aí pode-se visitar o
quarto do poeta com a cómoda original, objetos pessoais, como os seus célebres
óculos e a máquina de escrever. A Casa Fernando Pessoa também dispõe de um
restaurante, o Flagrante Delitro ao qual fui almoçar, um dia, com a D. Aurora, mas
não gostámos.
Temos ainda a zona das Amoreiras que é uma extensão natural de Campo de Ourique. O
símbolo do bairro é o "Amoreiras Shopping Center", inaugurado em 1985.
O centro comercial destacou-se, desde o início, pela sua arquitectura arrojada,
da autoria de Tomás Taveira. Chegou mesmo a receber os prémios Valmor e
Municipal de Arquitectura em 1993. As melhores marcas, como a Benetton, a
Levi´s, a Lacoste, a Gant têm aqui as suas lojas, assim como existem ali 7 salas de cinemas, onde tenho assistido
às estreias dos melhores filmes do ano.
Nasci nesta zona há 90 anos e quando criança, eu talvez
com 9 anos e a minha irmã com 3, íamos brincar para o Jardim da Parada, hoje
Jardim Teófilo Braga. Como o nosso pai era amigo do gerente do cinema Europa,
ali perto do jardim, aproveitávamos a gentileza do senhor nos deixar entrar à
borla, para ver os filmes do Tarzan, nessa altura ainda era o Johnny Weissmuller,
do TimMacCoy ou do Bucha e Estica, por
“alcunha” Oliver Hardy e Stan Laurel, ou ao contrário? Lindos tempos.
Mais vos poderia contar do meu lindo bairro, mas fica
para a próxima. Já estou com sono e vou-me deitar.
O jardim dos Prazeres visto da minha janela.


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