
Adufeiras de Monsanto
As Adufeiras de Monsanto são um grupo de mulheres do povo que, acompanha as suas composições com o toque do típico Adufe, procurando manter vivas e divulgar as tão belas e ricas canções criadas pelas gerações passadas.
Com um repertório que abrange desde canções de festa e romaria até à melancólica "Encomendação das Almas", passando pelos diversos "temas de trabalho", usados outrora para tornar mais suaves as duras tarefas agrícolas, as actuações das Adufeiras são autênticos repositórios vivos do viver e do sentir dos nossos antepassados.
Ainda há muito que saber do folclore de Monsanto. Depois de algum trabalho de escavação, aparecem sempre, à superfície, peças notáveis e valiosas para juntar ao pouco que hoje se conhece do folclore desta região.
Quem quiser ouvir uma velha canção medieval preste a sua atenção ao cântico religioso da SENHORA DO ALMURTÂO:
Sinhora do Almurtão,
Onde tendes a morada?...
Na campanha da Idanha,
Numa casa caleada!
Sinhora do Almurtão
Para lá eu vou andando.
Minha alma já lá ´stá,
Meu coração vai chegando!
Sinhora do Almurtão,
Mandai sol, qui quer chover;
Qui si molham os vestidos,
Virgem, di quem vos vem ver!
Sinhora do Almurtão,
Quem vos deu o manto vêrdi?
´Ma manina de Monsanto,
Duma doença qui têvi!
Sinhora do Almurtão,
Qui dais ´ò Vosso Manino?
Di manhã, papinha doce,
À noite, lête divino!
Sinhora do Almurtão,
A vossa bênção me cubra;
Tenho mãe, não tenho pai,
Sou filha duma viúva!
Sinhora do Almurtão,
Minhas costas vou voltári;
Meu coração si vai rindo,
Meus olhos vão a chorári!
Quem quiser ver e ouvir modinhas coreográficas, acentuadamente do século XVIII, procurará em Monsanto a dança mímica do MATA-ARANHA, cuja canção começa assim:
Ondi vais co´ tê sapatinho, olaré,
Ondi vais co´ tê lindo pé?
Ondi vais co´ tê sapatinho, olaré,
Ondi vais co´ tê lindo pé?
Mat´aranha, sarranita,
Mat´aranha, qui tu és bonita,
Mat´aranha, olaré,
Mat´aranha, com teu lindo pé.
Quem não quiser deixar de ouvir algumas canções, cuja melodia assenta nas notas brancas e seguidas da flauta de Pã terá de esperar que lhe cantem a cantiga da CEIFA
Ai!
Por cima se cêf´ò pão,
Ai!
Por baixo fic´ò ristolho;
Ai!
Manina, não se namore
Ai!
Do rapaz qu´embisg´ò olho!
Ai!
Minha mãe m´istá chamando
Ai!
Da láginha da Baganha!
Ai!
Valha-me Deus, minha mãe…
Ai!
Julga qu´o vento m´apanha!
E muitas outras poderia aqui citar, como, por exemplo a do MANEL CHANÉ:
A silva que nasce em casa,
Ó Manel Chané!
Vai a ter à cantarera
Vai di banda, vai di banda, ò pé,
Vai di banda, ó Manel Chané!
A mulhéri bem casada,
Ó Manel Chané!
Sempre parece soltera!
Vai di banda, vai di banda, ó pé
Vai di banda, ó Manel Chané
E a do TAIPUM que começa assim:
O balão da nossa ama,
Ai taipum,
Bíri bíri
Bíri bum
É com´à roda dum carro!
Quando vai par´à coznha
Ai taipum
Bíri bíri bum
Faz abanar o sobrado.
Também não podia deixar de me referir aqui à VAI-TE EMBORA, MEU BENZINHO:
Vai t´embora, meu benzinho,
Q´a minha mãe não ´stá cá…
S´ela vem e nos encontra,
Ai, qui dirá, qui dirá!
E à MODA DA AZEITONA:
Os amores d´àzêtona
Or´àdeus, adeus!
São com´òs da cotovia;
Acabada a azêtona
Or´àdeus, adeus!
Fica-te com Deus, Maria!
As raízes destas canções mergulham num passado de dezenas de séculos e cujas origens remontam aos invasores e aventureiros que algum dia povoaram este pedaço de Terra, em que derramaram seus costumes e onde se veio a erguer Portugal.
