sábado, 28 de outubro de 2017

Moro em Campo de Ourique

, o mais aristocrático bairro de Lisboa, num lindo apartamento de 3 assoalhadas que eu remodelei e decorei. O meu prédio tem cinco pisos e 27 condomínios, um casal de porteiros e dois elevadores. A porta do meu prédio dá para o jardim da Praça de S. João Bosco, no qual , vista da minha janela, destaca-se uma árvore ornamental da espécie Tipuana tipu, de grande porte, originária da América do Sul (Argentina e Bolívia). Este belo exemplar, centenário, com cerca de 23 metros de altura, de copa ampla e bem proporcionada, tem 34 metros de diâmetro e ostenta um considerável efeito paisagístico, que deslumbra. A 3 metros do solo ramifica, em longas pernadas, que dão sombra e frescura a quem as utiliza. Presentemente, o jardim está a passar por uma grande remodelação. Foram já construídos um café com uma grande esplanada,  um parque infantil, um parque canino e outro com equipamento de ginástica para os mais velhos.   
A poucos metros tenho cinco terminais: Três paragens de autocarros e duas de elétricos, entre os quais o célebre elétrico 28 que parte da minha porta e termina o seu trajeto no Martim Moniz. O autocarro 709 leva-me aos Restauradores, o 701 ao Campo Grande, o 774 a Gomes Freire e o elétrico 25 ao Terreiro do Paço e ao Campo das Cebolas, o que me permite uma mobilidade fácil e agradável.
Campo de Ourique, zona de habitação de classe média-alta é considerado um dos bairros da cidade de Lisboa com melhor qualidade de vida. Políticos, artistas e jornalistas escolheram Campo de Ourique para viver e conviver. Situado entre as Amoreiras, a Estrela e os Prazeres, Campo de Ourique não fazia parte do centro de Lisboa até ao século XVIII.
As ruas de Campo de Ourique estão repletas de lojas, cafés, pastelarias, consultórios e escritórios.
Para perceber o ambiente do bairro, faça-se um percurso pelos cafés mais antigos: "A Tentadora" na Rua Ferreira Borges, a "Ruacaná" na Rua Almeida Sousa e o “Canas" na Rua Saraiva Carvalho. Não esquecer o restaurante STOP, um clássico de Campo de Ourique, onde vamos muitas vezes almoçar e que se destaca pela sua cozinha execional. O arroz de marisco, o arroz de tamboril, a cabidela de galinha confecionados pela D. Rosa são de saborear e chorar por mais. Não vamos lá mais vezes porque um almoço anda à volta dos 30 e tal Euros, enquanto nos “4 Minhotos”, onde almoçamos todos os dias uma comida mais caseira, gastamos 15.

Existe o Mercado de Campo de Ourique, com mais de 80 anos de história que, depois de renovado, trouxe mais vida ao bairro, com bastante afluência de público, passando a ser referência para turistas estrangeiros. Com a renovação, surgiram diversos restaurantes e bares, tasquinhas com petiscos deliciosos desde as ostras com champanhe aos hamburgers, passando por pratos mais elaborados, como o prego gourmet e o sushi e sashimi, na tasquinha japonesa.

Indispensáveis são as visitas à Igreja do Santo Condestável, construída em estilo neogótico em honra do Condestável D. Nuno Álvares Pereira  da autoria do arquiteto Vasco Regaleira, à Casa de onde Fernando Pessoa morou nos últimos 15 anos da sua vida. Aí pode-se visitar o quarto do poeta com a cómoda original, objetos pessoais, como os seus célebres óculos e a máquina de escrever. A Casa Fernando Pessoa também dispõe de um restaurante, o Flagrante Delitro ao qual fui almoçar, um dia, com a D. Aurora, mas não gostámos.

Temos ainda a zona das Amoreiras que é uma extensão natural de Campo de Ourique. O símbolo do bairro é o "Amoreiras Shopping Center", inaugurado em 1985. O centro comercial destacou-se, desde o início, pela sua arquitectura arrojada, da autoria de Tomás Taveira. Chegou mesmo a receber os prémios Valmor e Municipal de Arquitectura em 1993. As melhores marcas, como a Benetton, a Levi´s, a Lacoste, a Gant têm aqui as suas lojas, assim como existem ali 7 salas de cinemas, onde tenho assistido às estreias dos melhores filmes do ano.

Nasci nesta zona há 90 anos e quando criança, eu talvez com 9 anos e a minha irmã com 3, íamos brincar para o Jardim da Parada, hoje Jardim Teófilo Braga. Como o nosso pai era amigo do gerente do cinema Europa, ali perto do jardim, aproveitávamos a gentileza do senhor nos deixar entrar à borla, para ver os filmes do Tarzan, nessa altura ainda era o Johnny Weissmuller, do  TimMacCoy ou do Bucha e Estica, por “alcunha” Oliver Hardy e Stan Laurel, ou ao contrário? Lindos tempos.


Mais vos poderia contar do meu lindo bairro, mas fica para a próxima. Já estou com sono e vou-me deitar. 

O jardim dos Prazeres visto da minha janela.